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Exposição Para Falar de Amor
Na obra apresentada na exposição PARA FALAR DE AMOR 2, com curadoria de Saulo Di Tarso e realização da KURA, Ficko tensiona os limites tradicionais da pintura ao permitir que a composição ultrapasse fisicamente a tela e avance sobre a arquitetura. O gesto não é apenas formal: é expansão simbólica. O vermelho, campo do amor, da paixão e da intensidade afetiva, recusa contenção. A cor escapa, ocupa o concreto, invade a matéria do espaço e transforma a parede em continuidade da obra.
Há, nesse movimento, ecos de artistas que romperam historicamente a fronteira entre pintura, objeto e ambiente. De Lygia Clark a Hélio Oiticica, passando pelas investigações espaciais de Lucio Fontana, a arte deixa de existir apenas como superfície para tornar-se experiência, corpo e presença. Em Ficko, porém, essa expansão ganha uma dimensão profundamente afetiva: a geometria não opera como cálculo racional, mas como emoção em estado arquitetônico.
O vermelho que atravessa a tela funciona como linha de força e permanência, quase como uma pipa que, ao invés de subir aos céus, decide permanecer suspensa entre memória, desejo e matéria. A abstração geométrica, aqui, é atravessada pelo sentimento. Não há neutralidade. Há pulsação.
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